Jacques Aumont
On n’y peut rien
on n’y peu rien
Jacques Aumont (fr) crítico e teórico de cinema; professor Université Paris 3 (Sorbonne-Nouvelle), EHESS, Paris, França
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“Jacques Aumont, o primeiro interveniente neste colóquio, toma como principal argumento a afirmação do cinema como um dispositivo não interactivo, colocando a questão do que é que no cinema resiste à interactividade. Lança a hipótese de que a interactividade não reside tanto nos dados sensoriais (movimento, som, imagem, montagem) que constituem a ligação essencial a uma forma de pensamento que o cinema mimetiza, mas é tornando-se “meta-cinema” que se estabelece a ligação entre cinema e interactividade.
Entr’acte (1924) de René Clair [video] segundo Aumont, um filme concebido para “provocar” o espectador. + Maurice Lemaître – Le film est déjà commencé ? (1951) em que Olivier Fouchard se baseia para “Le film est déjà terminé ?”, (1999) filmes que se apresentam como ” um regresso à acção”, invocam a acção. Michael Snow, “Two Sides to Every Story” (1974) [video] e Kurt Kren – 6/64: Mama und Papa (Materialaktion Otto Mühl) (1964) – suscitam a acção (estética emocional)
Seguindo um percurso em 3 etapas essenciais, sustentado por vários exemplos desde o cinema Dada, o filme estrutural, o accionista, entre outros, aborda a relação do cinema com o espectador, afirmando que este cinema “joue son spectateur” (ou encena o seu espectador)— encena, (re)encena e transforma o espectador — mas sempre segundo um programa linear, sendo a acção ou participação do espectador apenas interpretativa.
Numa primeira instância o cinema apela à acção, uma acção estética e emocional, mas que está longe de qualquer coisa que implique verdadeira interacção.
O cinema “mimetiza” a interacção “fingindo a representação do espectador”. A interacção é “simulada” em estratégias que implicam interpelação directa, agressão ou um qualquer discurso endereçado directamente ao espectador.
O cinema “regista” a interactividade, ou seja, não efectiva uma interacção directa mas evoca e suscita a acção do espectador, tanto pela via da construção formal e narrativa no cinema estrutural, como pelo apelo emocional à acção do “accionismo”. Logo, “on n’y peut rien, c’est des filmes“, são pensamentos construídos e que a acção pode ser suscitada, evocada, mas apenas existe ao nível da interpretação.
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