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\\ Figures de l’interactivité 2008 \\

December 2, 2008 · Leave a Comment

Nos dias 19, 20 e 21 de Novembro realizou-se em Poitiers o colóquio internacional “Cinéma, Interactivité et Société“, inserido na primeira bienal “Figures de l’interactivité“, organizada pelas escolas “École Européenne Supérieure de l’Image” (ÉESI) de Poitiers e “Université du Québec” em Montréal.

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O ponto de partida para a reflexão entre “cinema, interactividade e sociedade” começa  pela exploração das “margens du cinema“. Vários entendimentos de cinema e possibilidades de um cinema interactivo forma postos em jogo. Questionaram-se os limites da acepção de cinema no seu cruzamento com a interactividade. O primeiro interveniente na temática, Jacques Aumont (fr), falou de um cinema que resiste à interactividade e de uma cinema que se aproxima da interactividade definindo-se como “meta-cinema”. Perron (ca) abordou a interactividade como elemento de atracção no cinema, considerando que esta dimensão se encontra ainda sem grande efectivação. Este início permitiu reconhecer as diversas acepções que o cruzamento da noção de cinema e interactividade poderia assumir no contexto do colóquio, testando o significado que a designação “cinema interactivo” poderia assumir. Burgin (gb) foi o mais “literal” ao organizar a sua apresentação com base na definição de cada um dos termos. Com o painel sobre “novas estratégias redes de difusão” a questão dirigiu-se para as transformações que as tecnologias digitais e a Internet trouxeram: como propulsionam novas formas de conceber, produzir, difundir um “novo cinema“.

Novas formas da imagem em movimento foram exemplificadas por Yves Bernard (be) que enfatizou a visão destas transformações como fenómeno social. Novas propostas para a análise e fruição do cinema foram ilustradas pelo projecto de Stiegler (fr) que se constitui como ferramenta dedicada à análise como forma de participação no universo cinematográfico. As apresentações de trabalho artístico contaram com George Legrady (us), Jeffrey Shaw (au) e Julien Maire (fr), que com as suas investigação em torno deste tema colmataram a aproximação à histórica e actual “expansão” do cinema. A apresentação de Jim Campbell (ca) foi felizmente adiada, proporcionando, no dia seguinte, um belo arranque à reflexão em torno dos “dispositivos para a imagem, som e  interactividade”. Na continuidade das apresentações de artistas do dia anterior Campbell (ca) e Steina Vasulka (eu) ilustraram a estreita relação com a imagem e som pela investigação dos seus dispositivos e circunscreveram diferentes formas de interacção como aspectos essências à construção das obras. A interacção foi vista como como algo inerente às tecnologias electrónicas e digitais — interacção com um sistema por natureza interactivo — aqui visto segundo dois prismas: a interacção do criador ou do espectador no sistema. Anne-Marie Duguet (fr) reforçou essa visão recorrendo à obra de Nam-June Paik para definir alguns conceitos fundamentais ao entendimento da importância da interacção na obra.

À tarde, a questão centrou-se nos “argumentos e narrativas interactivas” tendo Bianchini (fr) reforçado a natureza “reversível” e participatória das máquinas informáticas na definição de imagens que se situam entre “obras e instrumentos” e entre “atenção e intenção”. Douglas E. Stanley, num tom provocatório, assumiu-se quase como um “purista” da computação, substituindo a noção de “digitalização” por “algoritmização” do mundo. As apresentações de artistas funcionaram como uma antevisão da discussão do último dia – até pela reincidência de alguns nomes como Jean-Louis Boissier (fr), Luc Courchesne (ca), Masaki Fujihata (jp) ou George Legrady (ca).
“Descrever, anotar e por em relação som e imagem” foi o foco da discussão. O projecto “SLIDERS“, desenvolvido por [Frédéric Curien, Jean-Marie Dallet, Thierry Guibert, Christian Laroche] na l’ÉESI em Poitiers, destacou-se no contexto das apresentações quase como ilustração directa desse tema.

Fechando o ciclo do colóquio o último painel retorna ao “cinema e interactividade”, mas desta feita reforçando o papel das propostas que articulam investigação académica e artística. As intervenções mais representativas foram prestadas por Boissier (fr),  Jeffrey Shaw (au) e Masaki Fujihata (jp), sendo que este último proporcionou uma das mais inspiradoras abordagens à dimensão social, a mais implícita do título “cinema, interactividade e sociedade”.

[ver posts com resumo das apresentações individuais - cat figures2008]
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o colóquio teve lugar no recente Théâtre & Auditorium de Poitiers (TAP) concebido por João Luis Carrilho da Graça http://www.tap-poitiers.com
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