Café Global, Performance
O “café global”, adjacente ao “lounge”, apresentava performances diversas, na grande maioria significativamente menos dignas de nota que a intrigante performance ‘Digit’ de Julien Maire (que ganhou no ano passado uma menção honrosa no festival ars electrónica, bem como a sua instalação “exploding camera”, respectivamente nas categorias interactive e hybrid art).

Performance “Digit” de Julien Maire @ Café Global
Segundo a descrição do autor a performance pode ser encarada como uma peça de arte viva, em que um escritor, que Maire encarna, escreve um texto pura e simplesmente deslizando com os dedos sobre o papel em branco. Para além do primeiro impacto que se reveste de um “tom de magia” a intriga do mecanismo conduz a outro envolvimento, que se dirige ao próprio processo de escrita. Não há hardware, computador, écran ou qualquer ruído ou projecção visível. O texto é construído pelos gestos, como um processo de escrita automática (surrealista) que incorpora o acaso e se presta ao corte e recomposição. Como uma softmachine (Burroughs) o gesto é liberto de condicionantes, assumindo qualquer direcção, contrariamente a outras formas de escrita maquinais.

Performance “Digit” de Julien Maire @ Café Global
Digit opera nos interstícios da imagem em movimento e da literatura, numa transferência do processo cinematográfico para o processo de escrita. Implica simultaneamente os processos de construção de uma ilusão, aqui postos em jogo pelo dispositivo e encenação.