BILDERBERG
“If the Bilderberg Group is not a conspiracy of some sort, it is conducted in such a way as to give a remarkably good imitation of one.”
(C. Gordon Tether, London’s “Financial Times“, 1975)

Para além das sessões centrais do núcleo de conferências e Key-notes, o programa “Bilderberg” oferecia um formato aberto composto por um conjunto de apresentações paralelas, na sua grande maioria, projectos ou autores presentes na exposição. Sublinhado pelo carácter informal que o próprio espaço destinado a este núcleo evidenciava, a aproximação à metáfora da “conspiração” era aqui mais evidente.
O próprio nome sugere essa aproximação programática: retirado dos encontros do “Grupo Bilderberg”, onde líderes políticos, económicos, militares, estrategas dos media e outras figuras influentes reuniam secretamente para discutir os receios inerentes à perda ou dissolução da influência americana sobre a Europa Ocidental durante a “Guerra Fria” (o nome “Bilderberg” deriva do primeiro encontro do grupo, em 1954, no Oosterbeek Hotel de Bilderberg, na Holanda).
O “Bilderberg Salon”, na Transmediale, aparece como o contra-argumento desta conspiração – as figuras líderes são substituídas por artistas, activistas e investigadores que nos devolvem um possível enquadramento para a leitura da cultura digital. Cada sessão diária, é apresentada por um anfitrião convidado e oferece-se como um local de debate de uma prática artística contemporânea baseada em modelos de conspiração.
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Thursday 31/1_ 12:00 – 18:00
The TRANSITformations Salon
Apresentado por: Kyd Campbell [ca]
dis-locate-net – Sites of Conspiracy_ 12:00
Anette Schäfer [de], Miles Chalcraft [uk], Emma Ota [jp], Mirjam Struppek [de], Drew Hemment [uk]
Assistimos de um modo mais consistente à sessão “The TRANSITformations Salon”.
Propunha-se uma leitura do “trânsito” de convidados e visitantes em festivais e situações públicas e entender o modo como alterações de contexto, provocadas por um constante movimento e circulação, podem alterar a nossa percepção da identidade. Assumindo explicitamente uma vertente de manipulação (retirado do programa: “It’s no subtle secret, the participants here want you to listen to them and they want to change you”), induzem-se mecanismos flexíveis de escolha que permitem a cada um dos presentes participar no “grupo de conspiração” mais conveniente. Sem mais explicações (o silêncio ou a descrição, sempre foram recursos recorrentes no imaginário da conspiração), deu-se início a “dis-locate-net – Sites of Conspiracy”.
Nesta sessão questionava-se a instabilidade e a constante “perturbação” traduzida nos conceitos de localização (hoje, ainda haverá “lugar”?). Enquanto se exploram as várias definições destas localizações, o painel examina o modo como as nossas relações com o lugar se encontram em permanente revolução/transformação a partir do impacto dos novos media. Como podemos “conspirar” com o “lugar”, quando constantemente conspiramos contra ele.
Um conjunto de artistas e curadores, apresentaram os seus projectos que surgem aqui como possíveis respostas a esta discussão (“Dislocate”, “Radiator/Trampoline”, “FutureSonic” e “Urban Screens”).
Num primeiro momento, cada um dos intervenientes explicou sucintamente cada projecto.
“Dislocate”, apresentado por Emma Ota [jp], explora as relações entre arte, tecnologia e localização, encorajando a partilha e reflexão sobre as experiências traduzidas pelo cruzamento destes conceitos.
Ao explorar a ideia de transiência e conexão, “Dislocate” propõe um conjunto de núcleos: uma exposição, simpósio e um conjunto de workshops. “Dislocate” questiona as nossas noções de lugar e localização, face ao movimento permanente nos ambientes multifacetados, conectados e móveis que nos circundam. Oferece um espaço de investigação ao potencial dos novos media no envolvimento do indivíduo com o “local” e questiona a nossa vontade dicotómica de permanente escapismo e em simultâneo de uma certa nostalgia pelo “lugar”. Investiga os movimentos no espaço e explora os diferentes canais na cidade induzidos pela tecnologia.
dis-locate.net
Anette Schäfer [de] e Miles Chalcraft [uk], apresentam “Trampoline”, projecto de cultura independente, que acontece em Nottingham e Berlim, desde 1997. Assumem que o evento, surgiu de uma óbvia necessidade, dada a inexistência até ao momento de um evento de “live media-art” (que combinasse performance, live art, gaming e instalações).
trampoline-berlin.de
trampoline.org.uk
“FutureSonic”, apresentado por Drew Hemment [uk], é um festival anual de arte, música e idéias. Ocupa a órbita da cultura digital e da música (com raízes na “club culture” e na tradição da música electrónica de dança) e procura um enfoque particular nos media móveis e nos locative media, nas tecnologias sociais, na arte e na cidade. Uma das acções mais curiosas, consistiu na utilização das infra-estruturas espacial e media (ecrãs, câmaras de vigilância, etc.) de um centro-comercial, como ponto estratégico de questionamento da experiência de “lugar” e de “lugar de passagem”.
futuresonic.com
Por fim, “Urban Screens”, conceito iniciado por Mirjam Struppek [de], procura congregar um conjunto de acções (debates, eventos e divulgação de projectos) que estimulem o nosso envolvimento com o espaço urbano, a esfera pública e a sua transformação a partir dos novos media. Ao investigar a utilização comercial corrente dos ecrãs exteriores e a sua possível apropriação por conteúdos culturais, procura criar uma rede que sensibilize todas as partes envolvidas para as possibilidades de utilização das infraestruturas digitais e o seu contributo para uma vivência efectiva da sociedade na urbe. A integração das tecnologias da informação actuais suportam o desenvolvimento de um novo plano digital, integrado na cidade a partir de um cruzamento complexo do espaço material e imaterial que redefine a função desta infraestrutura em crescimento.
interactionfield.de
urbanscreens.org
Após cada uma destas breves apresentações, a sessão “dis-locate-net – Sites of Conspiracy” parece a definir-se igualmente a partir da proposta que se lhe segue: estimulou-se a “des-localização”, oferendo a cada visitante a possibilidade de optar por seleccionar o seu grupo de discussão informal.
Optámos por seguir o debate em torno do projecto “Urban Screens”, representado por Mirjam Struppek [de], pelas possibilidades que este projecto apresenta aos novos modelos de comunicação na cidade. Explicou-nos como se criam estratégias de envolvimento entre os vários interesses de cada um dos agentes (artistas, empresas, orgãos de representação política locais) e de como todo o projecto carece deste processo de sensibilização e sustentação; definiu os vários suportes de apropriação urbana (fachadas, ecrãs digitais, outdoors, montras, qualquer superfície apta a receber projecções) e os diferentes desafios que se colocam a cada um dos modelos. Houve ainda oportunidade para partilhar algumas experiências de outros participantes no grupo de discussão criado no momento.
Pelo seu carácter informal, mas também informado, o modelo proposto para esta sessão “Bilderberg” acabou por revelar-se uma estimulante surpresa.
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The Artist, the Scientist and the Industrial_ 14:00
Société Réaliste [fr]
Numa das sessões seguintes, “Société Réaliste” [fr], enquadrou o seu projecto “Transitioners/Le Producteur”, no entendimento do papel do artista como cientista e industrial, recorrendo a uma comunicação que nos revela momentos históricos curiosos onde esta mesma ligação já tinha sido encontrada.
Os exemplos analisados estendem-se a grandes pensadores utópicos dos inícios do séc. XIX, como Fourier, Enfantin, Rodrigues, Cabet, Owen e Saint-Simon.
Assumindo-se como activistas teóricos, Ferenc Gróf and Jean-Baptiste Naudy, os elementos de “Société Réaliste”, procuram encontrar modelos de desenvolvimento da sociedade industrial e do design através de exemplos retirados das representações políticas, sociais e económicas. O objectivo da intervenção passou por tentar perceber como é que estratégias utópicas podem ser usadas hoje, como pilotos da máquina social.
societerealiste.net
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