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Entries categorized as ‘TRANSMEDIALE2008’

\\ Generator.x 2.0 @CTM \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

GENERATORX 2.0

Os eventos da plataforma GeneratorX, organizados por Marius Watz e inseridos na programação do CTM, consistiram no seu todo num workshop “generator.x 2.0 beyond the screen” e numa performance audiovisual em 3 actos.

A plataforma criada pelo artista norueguês examina o uso de processos generativos e computacionais na arte,
arquitectura e design visando providenciar um espaço de discurso e reflexão num campo com um crescimento explosivo nos últimos anos, mas que continua a carecer de discussão no contexto da media art.
Procura, em particular, levantar a reflexão sobre os tópicos da estética generativa, design de processos dinâmicos e evolutivos, a criação e desenvolvimento de software performativo, e produção de software de criativos para criativos. Watz levanta estas questões tanto na constante actualização da plataforma generator.x como nas suas diversas manifestações, tendencialmente a performance audiovisual e a fabricação digital a que começa a dar maior relevo.

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“Beyond the screen” workshop @ Ballhaus Naunynstrasse

“Beyond the screen” é um workshop e exposição sobre fabricação digital criado por Generator.x em colaboração com o CTM e os parceiros [DAM] e Hyperwerk.
Segundo Watz a fabricação digital tem vindo a inverter a tendência de virtualização até então associada ao digital, em que máquinas e átomos eram substituídos por bits e software. As tecnologias de fabricação digital (como prototipagem rápida, corte laser ou CNC) permitem inverter o processo, passar de bits a átomos, tornando tangíveis e tácteis as estruturas e superfícies complexas geradas por processos computacionais e métodos generativos.
“Beyond the screen” explora estes novos tipos de construção espacial num workshop que reuniu artistas, designers e arquitectos que trabalharam com estratégias baseadas em código para a produção de formas físicas, comunicando os princípios do workshop em apresentações públicas e exibindo os resultados numa exposição no [DAM].

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Exposição com trabalhos de Jared Tarbell (US), Commonwealth (US), Theverymany (FR/US), Leander Herzog (CH), Marius Watz (NO) e outros participantes do Workshop Generator.x 2.0. no Digital Arts Museum.

A performance audiovisual complementa a iniciativa ilustrando o uso de sistema generativos nesse domínio específico.
O evento Audio-Visual que integrou o projecto Generator.x 2.0 no CTM apresentou 3 projectos que usam métodos generativos nas suas performances audiovisuais Alexander Rishaug & Marius Watz [NO] / Keiichiro Shibuya [JP] / Alva Noto [DE] “xerrox”.

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“Generatorx.2.0 performance audiovisual @ Ballhaus Naunynstrasse

O carácter generativo deste trabalho audiovisual resulta de se basear em código programado para integrar processos com evolução autónoma no tempo. Segundo estes métodos gera-se material acústico e visual, ‘output’ que pode ser estruturado e manipulado alterando alguns parâmetros do processo em tempo real. As imagens e sons não são portanto pré-processadas mas emergem através de um processo evolutivo em que as operações estocásticas e o acaso são determinantes, e em que o visual pode ser mapeado de acordo com parâmetros sonoros e vice-versa.

A performance Generator.x 2.0 apresenta perspectivas diferentes sobre o uso de métodos generativos para a performance audiovisual, tanto a nível dos processos de articulação entre som e imagem (seja reactividade ao som ou síntese simultânea segundo parâmetros afins), como a nível de uma linguagem formal e consequente estética audiovisual.

As máquinas de desenho de Marius Watz laboram visuais reactivos à ‘música microscópica’ de Alexander Rishaug, em que as paisagens de formas (bi ou tridimensionais) abstractas evoluem numa progressiva exuberância cromática, muito própria ao discurso visual de Watz.
Neste sentido Watz explora um discurso visual paralelo à música procurando concordâncias na reactividade das formas aos parâmetros do som, mas tentando ultrapassar a previsibilidade dessas estratégias explorando uma relação subjectiva entre valores visuais e sonoros.

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Alexander Rishaug & Marius Watz [NO]

O japonês Keiichiro Shibuya muda o tom contemplativo lançado pela dupla norueguesa, apresentando uma atmosfera audiovisual errática numa exploração estética de ruído digital. Baseia-se implícita (e explicitamente) no princípio de automação celular numa relação mais “literal” mas não menos interessante entre som e imagem.
Na performance, som e imagem parecem derivar em simultâneo dos mesmos princípios de exploração do ruído e erro a que Shibuya dá a melhor expressão audiovisual. Este registo audiovisual os sentidos num registo abrasivo, intenso, e aparentemente caótico, explorando limiares entre a percepção acústica e táctil do som, com a concordância da imagem.

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Keiichiro Shibuya [JP]

Sem comprometer as expectativas que de forma tão consistente tem vindo a criar, Carsten Nicolai apresenta o primeiro, do que será uma série de cinco volumes, “Xerrox”, que tal como o nome sugere se baseia na exploração do potencial artístico dos erros e resultados imprevisíveis do processo de cópia digital.
O acto da cópia é aqui fonte de uma série de possibilidades de mutação, transformação e incorporação do erro, em que a cópia se emancipa tornando-se um novo ‘original’. Neste trabalho usa ’samples’ de muzak, de ambientes ou não lugares como aeroportos e hotéis, usando técnicas de cópia que transformam a sua estrutura melódica para além do reconhecimento.
A mestria do estudo e exploração do fenómeno sonoro nas suas diversas acepções e dimensões (visual e táctil) revela-se na forma subtil como se conduz uma percepção unificada, do aural e visual. Segundo uma lógica de visualização do som os valores formais na matéria sonora são expressos numa textura mutável e evolutiva, carregada de valores hápticos. Na sua performance a compreensão intelectual e conceptual e a dimensão sensorial e expressiva são geridas num elegante equilíbrio.

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Carsten Nicolai a.k.a Alva Noto [DE]

No seu todo a iniciativa, nas suas distintas manifestações, proporcionou um dos momentos mais consistentes do programa CTM, mesmo que não completamente “unpredictable” surpreende pela solidez e consistência com que se desenrolou.

vídeos dos eventos disponíveis no canal generator.x no vímeo
documentação no CTM

links:
Alexander Rishaug [NO]
http://www.myspace.com/alexanderrishaug

Marius Watz [NO]
http://www.generatorx.no
http://www.evolutionzone.com

Keiichiro Shibuya [JP]
http://www.myspace.com/ataktokyo
http://www.myspace.com/atak.jp

Alva Noto [DE]
http://www.carstennicolai.de
http://www.raster-noton.de/
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\\ CTM 08 \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

CLUB TRANSMEDIALE 08

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Instalação @ Club Maria

O “club transmediale” desenrola-se paralelamente ao “transmediale”, neste ano ano entre 25 de Janeiro e 2 de Fevereiro. O programa reúne uma grande diversidade de abordagens à criação musical, sonora e audiovisual contemporânea (electrónica, digital e experimental) e pretende proporcionar uma visão da produção internacional, bem como estimular a reflexão sobre os desenvolvimentos técnicos e criativos através de workshops e painéis de discussão, dando uma visão da diversidade de media, formatos e aproximações artísticas à cultura musical.

TEMA
O tema deste ano “unpredictable” investiga conceitos artísticos que implicam surpresa ou imprevisibilidade de acidentes, erros e coincidências como meios para alterar a dinâmica do processo criativo e descobrir novas formas estéticas.
O ponto de contacto com a conspiração está nesta visão do jogo com o imprevisível como método de desorientação consciente, para provocar uma independência e imunidade contra o crescente desejo de segurança e controlo das organizações públicas e comerciais.

O evento foi recheados de apresentações, concertos e live-acts condizentes com o enunciado de uma diversidade de estratégias e estilos. O programa percorre, desde o incontornável pioneiro Pierre Henry [FR] que durante os anos 50 juntamente com Pierre Schaeffer [FR] dá forma a uma abordagem da “musique concrète”, à passagem pela estética ‘glitch’ digital, ou por paisagens acústicas que incitam à contemplação ou lógicas de exploração acústica do espaço.
Da primeira semana lamentamos ter perdido a improvisação electroacústica de Henry, e que apresentou trabalhos de 2003 e 2007, ou o simpósio “tuned city”.
Este simpósio sobre especulações entre som e espaço na perspectiva de uma “cidade sintonizada”, contou com a presença de Max Neuhaus [us] figura pioneira da arte sonora ou Brandon Labelle [us/dk] com o seu discurso crítico sobre som e espaço. Explorou-se o potencial de um trabalho artístico sobre contextos espaciais específicos, percorrendo uma estética da atmosfera sonora ou a relação entre acústica e arquitectura.

Na componente Generatorx2.0 organizada por Marius Watz, perdemos a Keynote que foi posteriormente “compensada” por outras manifestações da mesma iniciativa.
A qualidade do conjunto de performances audiovisuais da noite GeneratorX 2.0 como os resultados do workshop em fabricação digital que tivemos oportunidade de assistir posteriormente fazem com que esta inciativa se destaque no corpo do festival CTM.

WORKSHOPS
O programa do CTM reunia ainda uma série de workshops xxxxx, sob o tema [in] tolerance, organizados por Martin Howse [UK] e Derek Holzer[NL/US], orientados para produção e construção de artefactos audiovisuais electrónicos (sendo código ou hardware) na procura de exploração do software livre, ferramentas GNU e componentes electrónicos. O mote é uma sugestiva citação de Kittler apelando à imprevisibilidade e erro em proporção directa à informação, como os temas do ruído, “one bit music”, ‘Theremin digital’, ‘caos em nodos e redes’ ou ‘naturezas bastardas’ o sugerem.

Os eventos do CTM distribuíram-se por vários locais, na sua grande maioria, os live acts, concertos, performances audiovisuais ou filmes tinham lugar nos espaços do Club Maria. Embora as performances não nos tenham surpreendido pela qualidade ou imprevisibilidade, não desiludiram pela diversidade e riqueza das abordagens.
O tema da improvisação electrónica e electroacústica foi abordado em “the land unknown” destacando-se as performances de Pure [AT] ou Robert PIottrowicz [PL]. Incidiram essencialmente numa exploração do ruído electroacústico, jogando com sistemas de síntese de som para gerar ruídos improváveis, num exercício de controlo instável, com consequências sonoras por vezes inesperadas.

Robert PIottrowicz

Robert PIottrowicz
A qualidade desta abordagem ao ruído não encontrou porém equivalente no “Sonic Wargame”, de Xavier Van Wersh [NL]. Embora se enunciasse como uma competição (simultaneamente colaborativa e submissa) entre participantes na criação de um ‘organismo quadrifónico de som’, este jogo ‘agressivo’ acabou por sobrepor a componente lúdica à qualidade da matéria sonora em jogo.
sonic-wargame.net

O lineup “unsusual configurations” consegue fazer juz ao tema com o contributo de Vitalic [FR] ou dos “mouse on mars” [DE] que cumpriram com a inteligência e humor que os caracterizam e confirmam os cerca de 12 anos de exploração de uma electrónica enérgica e desconstrutiva, com direcções imprevisíveis e configurações verdadeiramente invulgares.

Categories: CTM 08 · TRANSMEDIALE2008
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\\ Café Global \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

Café Global, Performance

O “café global”, adjacente ao “lounge”, apresentava performances diversas, na grande maioria significativamente menos dignas de nota que a intrigante performance ‘Digit’ de Julien Maire (que ganhou no ano passado uma menção honrosa no festival ars electrónica, bem como a sua instalação “exploding camera”, respectivamente nas categorias interactive e hybrid art).

DIGIT
Julien Maire [FR]

digit
Performance “Digit” de Julien Maire @ Café Global

Segundo a descrição do autor a performance pode ser encarada como uma peça de arte viva, em que um escritor, que Maire encarna, escreve um texto pura e simplesmente deslizando com os dedos sobre o papel em branco. Para além do primeiro impacto que se reveste de um “tom de magia” a intriga do mecanismo conduz a outro envolvimento, que se dirige ao próprio processo de escrita. Não há hardware, computador, écran ou qualquer ruído ou projecção visível. O texto é construído pelos gestos, como um processo de escrita automática (surrealista) que incorpora o acaso e se presta ao corte e recomposição. Como uma softmachine (Burroughs) o gesto é liberto de condicionantes, assumindo qualquer direcção, contrariamente a outras formas de escrita maquinais.

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Performance “Digit” de Julien Maire @ Café Global

Digit opera nos interstícios da imagem em movimento e da literatura, numa transferência do processo cinematográfico para o processo de escrita. Implica simultaneamente os processos de construção de uma ilusão, aqui postos em jogo pelo dispositivo e encenação.

julien maire

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\\ Eventos Externos \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

EVENTOS EXTERNOS

Os eventos externos apresentavam várias instalações sendo que a “Filmachine” de Keiichiro Shibuya (igualmente com uma performance audiovisual no evento Generator.x audiovisual) se destacou pelo qualidade e verdadeira imprevisibilidade da experiência que proporciona.

filmachine @ Podewils’sches Palais
Keiichiro Shibuya [jp], Takashi Ikegami [jp]

Shibuya e Ikegami apresentaram uma sessão especial no “bilderberg salon” sobre o princípio da “Third term music”, o método de composição que está na base do seu trabalho e desta instalação. Shibuya recebeu igualmente uma menção honrosa na categoria “digital music” no ars electronica 2007 pela instalação “Filmachine” e correspondente CD “Filmachine phonics”.

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filmachine @ Podewils’sches Palais. Keiichiro Shibuya [jp], Takashi Ikegami [jp]

A instalação numa sala do Podewils’sches Palais consiste em 3 círculos de altifalantes que o espectador pode accionar num botão central, desencadeando uma experiência audiovisual abstracta e imersiva numa paisagem sonora tridimensional, visualmente pontuada por leds.
O sistema da instalação é complexo, baseado em estratégias generativas (como autómato celular e mapas logísticos) para a síntese de som e imagem. O CD que acompanha a instalação “filmachine phonics” emula esta experiência espacial nos limites da estereofonia. Segundo o autor a instalação é uma paisagem sonora virtual e máquina gigante que produz estruturas temporais, espaciais, dinâmicas acústicas. Proporciona desta forma uma verdadeira imersão em texturas sonoras abstractas, abrasivas e expressivas que emulam as características dos sistemas caóticos. O efeito perceptivo oscila entre densidade, intensidade, mutação constante e pontuação. A instalação incita, sem dúvida, a que se dediquem largos minutos a uma experiência audiovisual em que o tempo é completamente relativizado pela qualidade da matéria e dinâmica sonora.

atak.jp
msi.ycam.jp

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\ Lounge \

February 15, 2008 · Leave a Comment

LOUNGE

O lounge do festival funciona como ponto de encontro e como espaço de apresentação de uma série de projectos artísticos. Contém ainda uma ‘biblioteca de projectos’ consistindo num conjunto de projectos submetidos ao ‘transmediale 2008’, disponíveis para visionamento.
O espaço ‘lounge’ complementa o espaço expositivo com a apresentação de várias peças. Deste conjunto destacamos as obras aparentemente mais simples, mas simultaneamente mais interessantes, pelo humor, poética ou engenho com que constroem sentido.

“Standard Time”
Datenstrudel [de], Mark Formanek [de]


time time2

‘Standard Time’, de Datenstrudel [de] e Mark Formanek [de] consiste num vídeo que documenta a replicação de um relógio digital numa contrução em madeira, suportada por 70 “funcionários”, que vão montando e desmontando os algarismos digitais que indicam o tempo num período de 24horas. O relógio digital é construído com madeira, pregos e afins, materiais usados para a sua actualização sincronizada com o tempo real do seu visionamento, num árduo exercício de humor desconcentante.
Vídeo de Standard Time

“Longlapses”
Miska Knapek [dk]

longlapses longlapses2

“Longlapses” é um vídeo que ‘imortaliza’ dias em vez de instantes, ao sobrepor diversos fragmentos espaciotemporais numa mesma imagem. Diferentes tempos de um mesmo espaço são visíveis em simultâneo, através de uma técnica de manipulação em que um motivo é fotografado regularmente durante 24h e distribuído linearmente na área da imagem. Essa sobreposição sequencial produz uma acumulação dinâmica do motivos fotografado, em que a luz, movimento e a vida de uma sociedade são reflexo simultâneo da efemeridade e perenidade de um espaço vivencial.

“SARoskop”
Martin Hesselmeier [de], Karin Lingnau [de]
Mais lúdica mas igualmente interessante esta peça proporciona a visualização cinética de ondas electromagnéticas, numa estrutura flexivel, reactiva à intensidade de ondas captada pelos sensores. O uso de telemóveis foi largamente explorado pelo público para obtenção de efeitos imediatos, produzindo a agitação frenética da escultura, cuja estrutura gera oscilações interdependentes.
martinhesselmeier.com

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\\ Filme e vídeo \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

Programa ‘film & video’

O programa de filme e vídeo organizava-se em 3 tipos de sessões, as de filmes segundo temática definida [FP], as compilações [CP] e os programas especiais [SP]. As temáticas das sessões relacionavam-se com o mote do festival, sendo que a que mais despertou o interesse parece a mais distanciada, sob o tema da poética estrutural, em que destacamos os filmes de Thorsten Fleisch [de] “energie” e de Billy Roisz [AT], “elesyn 15.625″, apresentado na [SP_03] transmediale.08 Video Selection (Preview), juntamente com o filme de Thomas Köner “pneuma monoxyd”, entre outros menos dignos de nota.

O filme de Fleisch baseia-se no registo fotográfico de descargas eléctricas de alta voltagem e sua composição temporal num efeito de intermitência, numa sequência que desafia a persistência retiniana. No conjunto da selecção “preview”, algo díspare e diversa, tanto a nível de linguagem, como de discurso e proposta estética, destaca-se o filme de Roisz que se dedica a experiências com feedback de vídeo e explora a interacção entre som e vídeo. Neste vídeo aborda essencialmente o feedback em quase todo o seu potencial, usando o sinal electromagnético para modelar o tom, movimento e ritmo do som e imagem. Uma síntese que gera os padrões abstractos que se transformam numa evolução dinâmica, oscilando da abstracção pura ao humor caricatural que esta sinestesia eléctrica pode evocar.
O filme de Köner, apresentado na compilação “the travellers”, e novamente na selecção final, é uma deambulante diluição de fronteiras entre instantes, apelando à contemplação de um plano fixo com movimentos lentos condizentes com a atmosfera sonora atemporal.

programa filme e vídeo

vídeos mencionados
incluídos na sessão [SP_03] transmediale.08 Video Selection (Preview)

Thorsten Fleisch [de]
“Energie!”
http://www.fleischfilm.com/html/energie.htm

Billy Roisz [at]
“elesyn 15.625″
http://www.vimeo.com/421368

Thomas Köner [de]
“pneuma monoxyd”
http://www.koener.de/pneumamonoxyd.htm

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\\ Bilderberg Salon \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

BILDERBERG

“If the Bilderberg Group is not a conspiracy of some sort, it is conducted in such a way as to give a remarkably good imitation of one.”
(C. Gordon Tether, London’s “Financial Times“, 1975)

bilderbergsalon

Para além das sessões centrais do núcleo de conferências e Key-notes, o programa “Bilderberg” oferecia um formato aberto composto por um conjunto de apresentações paralelas, na sua grande maioria, projectos ou autores presentes na exposição. Sublinhado pelo carácter informal que o próprio espaço destinado a este núcleo evidenciava, a aproximação à metáfora da “conspiração” era aqui mais evidente.
O próprio nome sugere essa aproximação programática: retirado dos encontros do “Grupo Bilderberg”, onde líderes políticos, económicos, militares, estrategas dos media e outras figuras influentes reuniam secretamente para discutir os receios inerentes à perda ou dissolução da influência americana sobre a Europa Ocidental durante a “Guerra Fria” (o nome “Bilderberg” deriva do primeiro encontro do grupo, em 1954, no Oosterbeek Hotel de Bilderberg, na Holanda).
O “Bilderberg Salon”, na Transmediale, aparece como o contra-argumento desta conspiração – as figuras líderes são substituídas por artistas, activistas e investigadores que nos devolvem um possível enquadramento para a leitura da cultura digital. Cada sessão diária, é apresentada por um anfitrião convidado e oferece-se como um local de debate de uma prática artística contemporânea baseada em modelos de conspiração.

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Thursday 31/1_ 12:00 – 18:00
The TRANSITformations Salon
Apresentado por: Kyd Campbell [ca]

dis-locate-net – Sites of Conspiracy_ 12:00
Anette Schäfer [de], Miles Chalcraft [uk], Emma Ota [jp], Mirjam Struppek [de], Drew Hemment [uk]

Assistimos de um modo mais consistente à sessão “The TRANSITformations Salon”.
Propunha-se uma leitura do “trânsito” de convidados e visitantes em festivais e situações públicas e entender o modo como alterações de contexto, provocadas por um constante movimento e circulação, podem alterar a nossa percepção da identidade. Assumindo explicitamente uma vertente de manipulação (retirado do programa: “It’s no subtle secret, the participants here want you to listen to them and they want to change you”), induzem-se mecanismos flexíveis de escolha que permitem a cada um dos presentes participar no “grupo de conspiração” mais conveniente. Sem mais explicações (o silêncio ou a descrição, sempre foram recursos recorrentes no imaginário da conspiração), deu-se início a “dis-locate-net – Sites of Conspiracy”.
Nesta sessão questionava-se a instabilidade e a constante “perturbação” traduzida nos conceitos de localização (hoje, ainda haverá “lugar”?). Enquanto se exploram as várias definições destas localizações, o painel examina o modo como as nossas relações com o lugar se encontram em permanente revolução/transformação a partir do impacto dos novos media. Como podemos “conspirar” com o “lugar”, quando constantemente conspiramos contra ele.
Um conjunto de artistas e curadores, apresentaram os seus projectos que surgem aqui como possíveis respostas a esta discussão (“Dislocate”, “Radiator/Trampoline”, “FutureSonic” e “Urban Screens”).
Num primeiro momento, cada um dos intervenientes explicou sucintamente cada projecto.

“Dislocate”, apresentado por Emma Ota [jp], explora as relações entre arte, tecnologia e localização, encorajando a partilha e reflexão sobre as experiências traduzidas pelo cruzamento destes conceitos.
Ao explorar a ideia de transiência e conexão, “Dislocate” propõe um conjunto de núcleos: uma exposição, simpósio e um conjunto de workshops. “Dislocate” questiona as nossas noções de lugar e localização, face ao movimento permanente nos ambientes multifacetados, conectados e móveis que nos circundam. Oferece um espaço de investigação ao potencial dos novos media no envolvimento do indivíduo com o “local” e questiona a nossa vontade dicotómica de permanente escapismo e em simultâneo de uma certa nostalgia pelo “lugar”. Investiga os movimentos no espaço e explora os diferentes canais na cidade induzidos pela tecnologia.
dis-locate.net

Anette Schäfer [de] e Miles Chalcraft [uk], apresentam “Trampoline”, projecto de cultura independente, que acontece em Nottingham e Berlim, desde 1997. Assumem que o evento, surgiu de uma óbvia necessidade, dada a inexistência até ao momento de um evento de “live media-art” (que combinasse performance, live art, gaming e instalações).
trampoline-berlin.de
trampoline.org.uk

“FutureSonic”, apresentado por Drew Hemment [uk], é um festival anual de arte, música e idéias. Ocupa a órbita da cultura digital e da música (com raízes na “club culture” e na tradição da música electrónica de dança) e procura um enfoque particular nos media móveis e nos locative media, nas tecnologias sociais, na arte e na cidade. Uma das acções mais curiosas, consistiu na utilização das infra-estruturas espacial e media (ecrãs, câmaras de vigilância, etc.) de um centro-comercial, como ponto estratégico de questionamento da experiência de “lugar” e de “lugar de passagem”.
futuresonic.com

Por fim, “Urban Screens”, conceito iniciado por Mirjam Struppek [de], procura congregar um conjunto de acções (debates, eventos e divulgação de projectos) que estimulem o nosso envolvimento com o espaço urbano, a esfera pública e a sua transformação a partir dos novos media. Ao investigar a utilização comercial corrente dos ecrãs exteriores e a sua possível apropriação por conteúdos culturais, procura criar uma rede que sensibilize todas as partes envolvidas para as possibilidades de utilização das infraestruturas digitais e o seu contributo para uma vivência efectiva da sociedade na urbe. A integração das tecnologias da informação actuais suportam o desenvolvimento de um novo plano digital, integrado na cidade a partir de um cruzamento complexo do espaço material e imaterial que redefine a função desta infraestrutura em crescimento.
interactionfield.de
urbanscreens.org

Após cada uma destas breves apresentações, a sessão “dis-locate-net – Sites of Conspiracy” parece a definir-se igualmente a partir da proposta que se lhe segue: estimulou-se a “des-localização”, oferendo a cada visitante a possibilidade de optar por seleccionar o seu grupo de discussão informal.
Optámos por seguir o debate em torno do projecto “Urban Screens”, representado por Mirjam Struppek [de], pelas possibilidades que este projecto apresenta aos novos modelos de comunicação na cidade. Explicou-nos como se criam estratégias de envolvimento entre os vários interesses de cada um dos agentes (artistas, empresas, orgãos de representação política locais) e de como todo o projecto carece deste processo de sensibilização e sustentação; definiu os vários suportes de apropriação urbana (fachadas, ecrãs digitais, outdoors, montras, qualquer superfície apta a receber projecções) e os diferentes desafios que se colocam a cada um dos modelos. Houve ainda oportunidade para partilhar algumas experiências de outros participantes no grupo de discussão criado no momento.
Pelo seu carácter informal, mas também informado, o modelo proposto para esta sessão “Bilderberg” acabou por revelar-se uma estimulante surpresa.

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The Artist, the Scientist and the Industrial_ 14:00
Société Réaliste [fr]

Numa das sessões seguintes, “Société Réaliste” [fr], enquadrou o seu projecto “Transitioners/Le Producteur”, no entendimento do papel do artista como cientista e industrial, recorrendo a uma comunicação que nos revela momentos históricos curiosos onde esta mesma ligação já tinha sido encontrada.
Os exemplos analisados estendem-se a grandes pensadores utópicos dos inícios do séc. XIX, como Fourier, Enfantin, Rodrigues, Cabet, Owen e Saint-Simon.
Assumindo-se como activistas teóricos, Ferenc Gróf and Jean-Baptiste Naudy, os elementos de “Société Réaliste”, procuram encontrar modelos de desenvolvimento da sociedade industrial e do design através de exemplos retirados das representações políticas, sociais e económicas. O objectivo da intervenção passou por tentar perceber como é que estratégias utópicas podem ser usadas hoje, como pilotos da máquina social.
societerealiste.net

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\\ Conferência \ The ‘Real’ Conspiracy” \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

“The ‘Real’ Conspiracy”// Timothy Druckrey [us]: _ 18:30
Introdução: Andreas Broeckmann [de]

“Where is reality? Can you tell me?”
Heinz von Foerster, in “Das Netz: The Unabomber, LSD and the Internet”

“With Turing machines that think the world, with Lacan’s language that thinks the ‘real’, with Barthes’, language that signifies the world, with the optical apparatus’ images that witness the ‘real’, with the gramophone – the sound of the ‘real’, and with the computer pictures that simulate the ‘real’, the legacy of modernity’s obsession with representation and its apparatuses resides between illusion and alibi. As Zizek reminds us, the issue is not between reality and simulation, but within the reality of illusion itself.”
Timothy Druckrey, do programa TM’08

Aguardada com grande expectativa, esta conferência começa com a apresentação de Timothy Druckrey por Andreas Broeckmann, onde se revela a cumplicidade entre ambos os autores (na t-shirt de Broeckmann, “reality addict” aparece em clara consonância temática).

conf druckrey
Andreas Broeckmann

A investigação de Druckrey aponta como possível constante, uma aproximação à alteração e apropriação dos valores ideológicos pelas tecnologias (ou uma possível filosofia política para a tecnologia).
Broeckmann apresenta Druckrey como um optimista crítico, um arqueólogo dos media em constante procura das linhas não consensuais da história; expõe a sua principal ferramenta – “a citação como arma” – que acabará por pontuar alguns os momentos mais memoráveis desta conferência.
Como “adenda reminder” e primeiro parentesis ao guião da conferência, Druckrey apresenta o trailler do filme “Strange Culture”, de Lynn Hershman Leeson, onde se relatam os estranhos acontecimentos ocorridos ao artista e professor Steve Kurtz que vão desde a morte da sua mulher por ataque cardíaco, ao inevitável telefonema para o 911, a suspeição dos polícias então chamados e a intervenção do FBI, até à acusação de “bioterrorismo”; parece que também aqui, reside uma pista para o entendimento da conferência – este é um caso real de como a representação criativa acaba por trair a realidade do seu próprio autor, confundindo-se tragicamente com esta.
Tendo como argumento principal a obsessão pela representação que hoje se transpõe para aquilo a que Druckrey chama a “realidade da ilusão” e a ideia-chave de que a representação não persupõe imediatamente uma perda de realidade, a conferência “The Real Conspiracy” começa por utilizar a “arma da citação”, criando um primeiro cenário para o entendimento desta problemática (afinal, a citação, também é em si, uma representação).
O vídeo com a entrevista a Heinz von Foerster (do filme “Das Netz: The Unabomber, LSD and the Internet”) surge como um primeiro tónico de provocação – “onde está a realidade? Consegue responder-me?”, “o mais revelante é quão interessante é a história que se conta para explicar a origem do universo.” Estas afirmações parecem ser “palavras de ordem” para o entendimento da conferência de Druckrey: a representação ou a construção perceptiva da realidade, o sinal, a imagem, como as reais estratégias da conspiração.

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Heinz von Foerster

Com Warren McCulloch, Norbert Wiener, John von Neumann, e outros, Heinz von Foerster foi um dos arquitectos da cibernética, aliando as suas competências na física e ciências da computação ao sentido crítico da filosofia. Desenvolveu uma segunda ordem para a cibernética, que focava os sistemas auto-referenciáveis e a importância dos seus comportamentos internos na explicação de fenómenos complexos.
Exibindo uma lógica evidente entre o formato da apresentação (a leitura do seu próprio texto) e o tema da conferência (apetece dizer que a realidade de uma conferencia, é a sua representação em texto) continua um autêntico bombardeamento de citações: de Zizek retira “the things exist by mistake” ou “creation is just a cosmic imbalance”, de “Crash” de J. G. Ballard, “a ficção já existe, a tarefa do autor é inventar a realidade”, das leis do Marketing “never do anything for the first time”.
Ficam alguns fragmentos das ideias-chave do argumento desta conferência: a conspiração está afinal no sinal, na imagem; a realidade como o que está entre sinal e ruído; a inexistência de um mundo para além da representação (“where do pictures go when they are not on the screen?”); a fatalidade da privatização da realidade, dominada pelos media, um possível retorno à utopia da individualização da realidade, quando conferimos ferramentas de representação e representatividade a partir das novas tecnologias da Rede e simultaneamente a inevitável “conspiração do esquecimento” traduzida a partir da acumulação dos referentes (aquilo a que o autor também chama a “conspiração da data-base” ou as narrativas do banal); o “re-enactement” como um dos modelos mais interessantes de representação da representação (quando se considera, sob a perspectiva de Heinz von Foerster, a História como uma construção ou narrativa da realidade passada) ou como só as insistências ou repetições da História nos permitem o nosso acesso a experiências do passado; o triunfo do efeito especial ou da “esfera do gadget”; a “conspiração da testemunha”, que assume a representação do que supostamente viu (devolve-nos então o “retrato-robot” da realidade e confere com esta representação a autentacidade dos acontecimentos); o revivalismo da Obra Total, como não mais do que uma ligação entre o ego e a hiperactividade do consumo (“Get back to normal. Go shopping!”); o legado da virtualização do mundo como uma espécie de “autópsia antecipada da realidade”; a realidade como uma variável e a imagem como uma constante.
Links:
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Timothy Druckrey
http://subsol.c3.hu/subsol_2/contributors3/druckreybio.html
http://users.rcn.com/druckrey/

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Andreas Broeckmann
http://framework.v2.nl/archive/archive/node/actor/.xslt/nodenr-65453

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Steve Kurtz “Strange Culture”
http://www.strangeculture.net/

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Heinz von Foerster
http://www.univie.ac.at/constructivism/HvF.htm

“The net: The Unabomber, LSD and the Internet”
Lutz Dammbeck

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\\ Conferência \ Chilean Network Experiment \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

Session 1: The Chilean Network Experiment: From Poetics To Systemics _ 30/1_14:00
Moderador: Eden Medina [us]
Participantes: Angel Parra [fr], Raul Espejo [uk], Alejandra Aravena [cl], Carlos Fernando Flores [cl]
Respondente: Alejandra Perez Nuñez [cl]

Esta conferência enquadra-se num contexto de investigação da origem das estruturas contemporâneas de comunicação em Rede. Durante o início da década de 70 e entre uma suposta poética reconhecida do Governo de Salvador Allende no seu caminho para o socialismo, o ‘Chilean Network Experiment’ sublinha as relações entre tecnologia, política e cultura.
A conferência começa com um primeiro enquadramento do CyberSyn, a primeira rede de comunicação criada para ligar Companhias e Estado. Defendia que a manutenção do poder, se conseguia a partir da construção de confiança e diálogo entre os vários níveis hierárquicos e não a partir de sistemas de coerção ou de comunicação codificada.
Como sistema de manutenção e distribuição da informação em tempo(quase)-real, o projecto CyberSyn, torna-se pioneiro na aplicação de um modelo cibernético em contextos sócio-económicos e baseava-se na convergência da ciência, tecnologia, política e cibernética.
O sistema económico do Governo, depois de anexar e nacionalizar inúmeras empresas, requeria a criação de um sistema de gestão, dinâmico e flexível.
Em clara oposição com a ARPANET, onde encontramos o Departamento de Defesa dos E.U.A. envolvido na construção de uma rede de comunicação descentralizada (típica do período de “Guerra Fria” e das teorias massivas de secretismo do Estado), o desenvolvimento do CyberSyn, incluía considerações éticas, fundadas numa cultura de participação, que definiam a experiência socialista no Chile e a participação física e psicológica do indivíduo na Rede. A enfâse era colocada na ligação entre indivídos, priveligiando o entendimento da Rede como sistema de comunicação social, enquanto que o sistema ArpaNET, priveligiava a ligação entre máquinas.
Na dicotomia acção vs. data (CyberSin vs. ARPANET), reside a principal diferença conceptual entre os dois sistemas. A data distribuída não era o vector essencial de manutenção do sistema em CyberSyn, mas, a idéia de que o acesso à de informação potenciava a acção. Curiosamente, o dia 11 de Setembro de 1973 marcaria o confronto último destas duas filosofias políticas e das suas estruturas de Rede subsidiárias.
Estruturalmente, o CyberSyn era composto pela Cybernet (rede de telex para apoiar companhias e instituições do Estado) e pelo Cyberstride (software do sistema); a sua função passava pelo processamento da informação enviada pelas companhias, traduzindo esta em variáveis pré-definidas, num formato facilmente inteligível.

Presente no painél de conferencistas, o senador Fernando Torres, contextualizou o enquadramento político do projecto, bem como o papel pessoal desempenhado na consolidação do mesmo.
Em 1970, Fernando Flores, Director geral da CORFO (Corporação de Produção e Desenvolvimento do Chile), é responsável pela complexa gestão e coordenação entre as companhias nacionais e o estado.
Influenciado por Madurama, Varela e Habermas, enquanto estudante de engenharia, conhecia as teorias e soluções propostas por Stafford Beer. Com Raúl Espejo, convida Beer para implementar um sistema de comunicação e manutenção do contrato social assumido pelo Governo.
Ao enquadrar o sistema CyberSyn, no contexto político do Chile da década de 70, Torres termina a intervenção, argumentando que a Internet, deve encontrar novos modelos de inspiração políticos, reforçando a importância e potencial da comunicação intra-culturas.

Raoul Espejo, procura na sua intervenção uma reconstrução holística da natureza de CyberSyn, através da revisão das vantagens e falhas deste sistema.
Assume o motor metafórico de construção de CyberSyn, na “brecha de complexidade” que leva sempre à necessidade do engenho, da invenção e da criatividade, como valores essenciais que nos permitem antecipar os problemas (como a gestão dos orgãos e unidades sociais e do Estado ou o terrorismo).

conf chileannet

Revela um profundo conhecimento de algumas das teorias da complexidade, como motores conceptuais de construção deste sistema: a “Lei do requisito” de Ashby (1964), nomeadamente o “requisito de variedade” que nos diz que só a complexidade absorve a complexidade (construindo agentes de regulação); ou as teorias da informação de Claude Shannon, que defende uma idéia de digitalização primária (todo o mundo analógico pode ser transformado em informação digital).
O projecto CyberSyn procurava ser sensível aos níveis de equilíbrio dos sistemas de comunicação: entre os limites do sistema de controlo (quando se amplificam em demasia as estratégias de observação) ou de simples observação (onde a observação passiva nega a acção). Estes ainda são os limites frágeis dos sistemas de comunicação em Rede: se por um lado se exige acção e resposta, devem construir-se sistemas de activação aos limites de vigilância e observação. Para tal, devem estar sempre presentes modelos de auto-regulação das hierarquias e capacidade dos canais de comunicação que garantam o equilíbrio entre autonomia e coerção.
CyberSyn promovia uma autonomia responsável, ao facilitar acções locais e ao desenvolver um sistema de comunicação baseados na “confiança responsável”, rompendo as relações hierárquicas tradicionais e dotando o sistema de um significado construtivo dado às práticas da informação em tempo real. Assim, CyberSyn, materializava o sistema de comunicação em Rede como reflexo das suas implicações sociais.
Raoul Espejo, conclui a sua comunicação admitindo que CyberSyn construíu um modelo de comunicação viável, mas não conseguiu promover as efectivas práticas capazes de reconstruir a natureza social, provando quão complexa pode ser a relação entre os mundos físicos e virtuais.

conf chileannet2

A pontuar o final da conferência, é-nos apresentada uma imagem da sala de controlo de CyberSyn; para além do imediato fascínio que uma sala típica da década de 70 provoca, Raoul Espejo deixa-nos com uma possível reflexão – como transformar, hoje, salas ou espaços de controlo em modelos de participação da cidadania activa. À Internet foi retirado o espaço e a hipótese de com ela construir imaginários pautados pelos Estilos da História, mas ainda assim resta a possibilidade de encontro de um modelo ou instrumento complexos de participação, como procuraram aferir algumas das conferências do Transmediale’08.

Links:
Project_CyberSyn
wikipedia Projet_CyberSyn
guardian.sciencenews.chile

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\\ McLuhan Salon \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

Marshall McLuhan Salon
Embaixada do Canadá

mcluhan

Este Salão revela a agradável estranheza das relações que se podem estabelecer entre representatividade política e reconhecimento do valor cultural como criação de uma identidade nacional. A escolha de McLuhan como representante do Canadá em Berlim não é nesse sentido desprovida de ingenuidade. A relação que se cria entre a Embaixada e o Transmediale é a partir deste momento uma assumida inevitabilidade e a primeira conferência inserida no programa paralelo “Mc Luhan Salon” é disto prova evidente. Procura-se que, todos os anos, seja dada uma conferência por alguém que, à semelhança de McLuhan, tenha vindo a reconstruir a Ordem através da interrogação transdisciplinar, ou como o próprio director do Transmediale refere alguém “out of the box”, em fuga à consensualidade e ao discurso instituicional, não através de estratégias de subsversão ou activismo, mas através das suas próprias “ordens”. A escolha de um professor universitário reveste-se nesse sentido, da devida premeditação, quando se discute amplamente o novo papel das estruturas académicas como motores de inovação.
Embora pequeno, este o “Salão McLuhan” é passagem obrigatória para todos os que acreditam ou investigam o legado McLuhaniano: filmes que documentam a vida e obra do autor (alguns com registos inéditos das suas palestras), dvd’s que compilam os seus dogmas, excertos da sua presença nos mais variados media (de sublinhar a súbita aparição em “Annie Hall” de Woody Allen), excertos de rádio, com algumas das suas intervenções são apenas alguns exemplos do que o visitante pode encontrar neste espaço.
No tempo que mediou a chegada ao espaço do Salão e o início da conferência, acedemos ao DVD “McLuhans’s Wake” (2002), com Laurie Anderson como narradora. Este documento, explica a relação inicial do autor à filosofia; ao tentar perceber as grandes leis que governam o Homem, McLuhan chega ao “Estudo dos Media” na sua ligação à comunicação, aos seus modelos formais e conceptuais. Com as “leis dos media”, McLuhan encontra uma ferramenta de organização do caos social e físico criado pelas novas tecnologias.
Um dos aspectos que se retem deste DVD, sublinha o estudo de McLuhan como um loop entre as ferramentas e os media como extensões do Homem e simultaneamente como traduções naturais da comunicação humana. Pela navegação, encontramos o mote “We shape our tools and therefore our tools shape us” que em si, tem também uma força conspiracional. A ligação sugerida ao Transmediale, parece encontrar um dos seus possíveis argumentos.

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Conferência
Alberto Pérez-Gómez

Professor universitário em diversas faculdades de arquitectura, Alberto Pérez-Gómez, acredita na disciplina como uma ferramenta ou motor de transformação e procura a especificidade do contributo de algumas formas artísticas como a arquitectura e o design, através da ligação da ética com a estética (aqui, forças interdependentes).
Embora muitas vezes se dirija àquela que é a sua matéria de eleição – a arquitectura – procura recorrentemente expandir os valores desta disciplina, às restantes práticas artísticas. Ao valorizar o imaginário poético do arquitecto (ou de qualquer outro agente criativo), estende a função da arquitectura não apenas à sua função estrutural económica, mas principalmente ao seu valor cultural.
Os aspectos essenciais da conferência, relacionam recorrentemente a beleza com a justiça, a poética com a ética, ao argumentar o voltar a acreditar no valor estético como função essencial das práticas artísticas ou criativas.
É este envolvimento da “forma bela” que reforça o reconhecimento contextual das práticas artísticas.
Reconhecer o Belo, é sempre uma tarefa difícil; recorrentemente negado, assumir a sua qualidade é hoje uma estranha provocação (parece ser um dos aspecto mais impopulares na construção dos projectos ou na sua possível argumentação); mas para Alberto Pérez-Gómez, o valor formal do Belo é um contributo específico das práticas artísticas. Mais do que a metodologia ou processo, o objecto é revelador do valor estético e assume-se como estratégia primeira de envolvimento.
Pode ser este aspecto de negação do Belo que explica a desproporção recorrente entre os artefactos novos media e os valores formais originados por estas; como se a consciência da tecnologia fosse inquestionável e o seu consequente retorno estético, problemático.
O acesso directo ao objecto (“não podemos parafrasear Rilke, temos que ler Rilke”, segundo as palavras do orador) é um aspecto essencial que revela a importância do momento de reconhecimento; como contra-campo, a arquitectura também deve oferecer um momento de desorientação. Para entendermos qualquer coisa, temos que primeiro encontrar a desorientação, como primeiro sentido ou vontade de envolvimento. O estímulo desta falta positiva, passa igualmente pelo retorno estético e a ligação à “metáfora” de Eros, uma constante no discurso de Pérez-Gómez. Este espaço ou esta falha vital são essenciais em qualquer experiência de tradução e as experiências artísticas não são excepção.
O sentido, não pode ser totalmente objectificado ou ligado a funções e formas: a criação de uma identidade restrita, fechada, faz com que o objecto ou sistema perca sentido.
As ligações a uma certa ética da forma, continuam a ser permeadas por conceitos filosóficos. Apresenta-nos o conceito de catarse como o momento em que o espectador se predispõe a construir sentido a partir do que vê, continuando a mesma lógica de reconhecimento da “falta positiva”, como estratégia de envolvimento. Mas não se espere desta aproximação à falha a devida inconsequência ou inconsciência nos processos criativos: a arquitectura que não se predispõe à construção de beleza e sentido é efémera, predispõem-se constrói apenas uma experiência momentânea.
A beleza é uma forma de partilha da experiência cultural, é um sentido “a priori”, uma experiência que produz catarse, o propósito da natureza mimetizado no artefacto.
O cepticismo que provém da redução da construção à lógica tem como contra-ponto, a adição da experiência como necessidade óbvia.
Devemos aprender a ter confiança na nossa percepção, na nossa vontade intuitiva de reconhecimento do Belo ou dos valores formais. O nosso envolvimento intuitivo com o Belo (o amor pela Beleza), é característica essencial nos meios de estímulo da experiência.
Pérez-Gómez, reforça a ligação de Eros com a imaginação – é a falta de imaginação que nos cria um vazio na construção; é a Imaginação que nos dá a faculdade de construção de histórias e de libertação, de partilhar a partir da linguagem dos “outros”. Esta é uma outra possível formulação da ética. São os Outros que decidem o destino e a construção de sentido último nas coisas.
Procurando uma leitura do contexto actual, reforça e idéia do nosso tempo ser ainda pautado pelo esquecimento da idéia de “voltar atrás”, que pode ser encarado como factor positivo na produção artística (por exemplo, a vontade da Renascença em voltar à Antiguidade e o modo como esse “voltar atrás” estimula a evolução); hoje, o sentimento persistente é de alteração da humanidade (é a diferença que traz a evolução), mesmo quando os novos media já são novos há muito tempo e quando muitas das discussões que se fazem hoje, são estranhas repetições de outras que já se fizeram antes; logo, a única diferença é uma percepção nova do Tempo e não a realidade desses mesmo Tempo.
Na obsessão pela ferramenta (“things are too flashy”, segundo as palavras do autor) perde-se esta noção da percepção e do valor estético. Estamos tão preocupados com a lógica que nos esquecemos da Forma Bela e do seu contributo essencial (dir-se-ìa até funcional) nos modelos de comunicação. É aqui, que se liga com evidência a estética e à ética, ao seu inevitável momento de aplicação funcional.
Sublinha-se por fim, a noção de responsabilidade e valorização da linguagem que falamos ou dos processos específicos de cada prática artística (“the ground for action”); ser responsáveis pelas nossas “palavras” (transpostas para projecto) como mais uma formulação da ética na prática artística.
É essencial, enquanto criadores, negociar as particularidades da produção, procurar a construção dessa consistência como um novo envolvimento político no trabalho projectual.
Alerta-nos para a responsabilidade de todos aqueles que constróem espaços de aparência e defende a idéia de expertise; a defesa da especialização como factor de responsabilização na produção e a urgência no assumir dessa responsabilidade, como outra versão da ética. Como bom orador, Alberto Pérez-Gómez, apresenta-nos por fim, o contra-campo da argumentação. Essa responsabilidade não implica rigidez, ou fixação nos processos; antes, deve ser atenta aos momentos imprevistos e ao reconhimento de que existem momentos em que perdemos o controlo (existe toda uma constelação de acontecimentos que nos escapa, são as últimas palavras desta conferência).

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