Masaki Fujihata
Tempo diferente, Locais diferentes
Different time, different places
Masaki Fujihata (jp),artiste; professeur, Tokyo Geijutsu Daigaku, Tokyo National University of Fine Arts & Music, Japon
http://www.fujihata.jp/
A participação de Masaki Fujihata, pioneiro japonês na new media art, foi dividida em dois momentos.
No primeiro, apresentou uma síntese da obra desenvolvida entre 1992 e 2005. A selecção começa com a instalação interactiva “Landing Home in Geneva” (2006), onde constrói um sistema de visionamento de vídeos de um conjunto de entrevistas a tradutores residentes na cidade suíça. Esta obra evidencia alguns dos princípios formais dos sistemas de Fujihata, no modo como explora a narrativa fragmentada, a bidimensionalidade da imagem vídeo com a profundidade do espaço virtual da interface gráfica interactiva e os valores simbólicos da forma (como pode ser exemplo, a linha branca que aqui se transforma na representação simbólica da solidão — o afastamento de cada entrevistado da sua terra e língua de origem).
Em “Impressing Velocity” (1992-97), sistema de representações do Monte Fuji, relaciona a forma física do volume com a velocidade obtida a partir do percurso efectuado. O artista utiliza um computador portátil equipado com GPS que aqui funciona como um digitalizador 3D. Para além das representações obtidas, foi importante para Fujihata considerar a base de dados decorrente como sub-produto da obra.


“Field-Work@Alsace” (2005) é exemplar no modo como apresenta um dos principais métodos de trabalho do artista—a obra de arte como “trabalho de campo”. A interface é composta por fragmentos vídeo, dispostos pelo percurso de cada participante, registado pelo GPS. O processo começa com a indexação dos vídeos a uma base de dados, que reúne todos os registos efectuados. A interface gráfica decorre deste processo, e evidencia a componente exploratória da experiência (presente da construção à fruição estética). A questão principal deste projecto coloca-se na tradução ou reconstrução das experiências que são transportadas directamente para o sistema de navegação.


Explorando a impermanência dos fenómenos e a “conquista da imperfeição”, a utilização das tecnologias multimédia evidencia apenas as possibilidades de comunicação nos espaços virtuais. Deste modo, Fujihata assume o seu mote “a realidade não entra em conflito com a virtualidade—é apenas um aspecto complementar ao espaço vivencial”. O trabalho do artista destaca-se pela importância dada aos pormenores, revelada por exemplo, no modo como descreve a evolução dos sistemas GPS e como a sua indefinição, nos primeiros momentos do sistema, foi essencial para a dimensão estética das suas propostas.
No segundo momento Fujihata evidenciou as suas preocupações de investigação em torno do nosso sistema perceptivo e do modo como a sua estrutura determina matricialmente a experiência estética e os nossos modos de interacção. A intervenção começa com uma evidência irrefutável (a diferença das experiências andar de bicicleta e ver televisão), seguido da importância da cópia e da precisão no alcance do rigor e perfeição (tomando como exemplo a tradição de ensino da caligrafia no Japão).
Com estes exemplos, chega à conclusão de que a distinção entre a experiência do movimento e a construção lógica, advém de uma questão, em grande medida, anatómica. Enquanto a memória do movimento está colocada no cerebelo (centrado nas funções do corpo), a construção lógica existe no cérebro (logocêntrico). Refere ainda os estudos de Makoto Toyota, engenheiro informático que fez um estudo fundamental do cérebro e do modo como este constrói acções em “loop”, ou seja input e output das acções e pensamento. É desta forma, em progressão e iteratividade, que compreendemos o que estamos a fazer. Fujihata considera deste modo, que, por unir as reacções dinâmicas e lógicas, os sistemas interactivos são os melhores candidatos ao desenvolvimento da narrativa (“storytelling”).
Outros links:(entrevista a Fujihata)
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