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Stuart Bailey \\ a migração dos signos

April 25, 2009 · Leave a Comment

A migração dos signos
(ou como todas as partes constroem um todo em partes)

conferência Stuart Bailey com Mário Moura. FBAUP. 23ABR’09

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O mote para a conferência parecia ser simples—como expandir a legenda de “Extended Caption“, a exposição de Stuart Bailey na Culturgest do Porto, ainda um pouco mais e num outro modelo. Os ingredientes dispunham-se à volta da mesa—dois bons conversadores, um bom tema de conversa.
E assim se adensou a expectativa sobre esta conferência. O resultado foi um auditório cheio numa bela tarde de Primavera, no Porto, pronto a “ler” os três capítulos da apresentação: contexto, objecto e imagens ausentes de “Extended Caption (DDDG)”. A conferência transformou-se, assim, num detalhado preâmbulo à exposição presente na Culturgest do Porto—uma chave determinante para a “leitura” do seu programa.
A 7ª versão desta exposição tem como princípio a recolecção de um conjunto de imagens cuja “única relação objectiva consiste em terem aparecido nas páginas da Dot Dot Dot* (revista editada por Stuart Bailey e Peter Bilak desde 2000 e por Dexter Sinister desde 2007). Como objectivo, a subversão da hierarquia comum entre texto e a imagem. A “tentativa”* configura-se em dois modelos—uma parede de imagens que nos coloca perante a hipótese da leitura do todo ou das partes; um livro que devolve as imagens ao seu ecossistema original (este último em colaboração com os ROMA Publications). Entramos, deste modo, no “circuito-fechado” que tanto parece agradar Bailey—uma publicação impressa recriada numa parede de uma exposição que, por fim, volta a ser “matéria impressa”.

conferencia Stuart Bailey Porto

O modelo da conferência seguiu os princípios que identificam os textos de Bailey, revelando a consistência do seu “modo de pensamento”, uma rede de relações intertextuais em torno de um conjunto de signos e significantes. A vontade de construir narrativas a partir dos “entre-espaços” dos objectos (o território preferencial em que habita a obra do autor) revela-nos o fascínio pela procura das pistas, sem que se tenha consciência imediata de um objectivo final. Partindo de um signo (visual), constrói-se uma narrativa de reconstituição (ou de ficção) que nos leva a outro signo e assim sucessivamente. A imagem parece ser o resultado inesperado de uma longa “tradição oral” —um facto que nos leva a outro facto, uma história que se conta, um ponto que se acrescenta…

É assim que Bailey desconstrói a superfície da imagem e a dota de um sentido profundo, complexo, fruto de um conjunto paradoxal de pré-determinações, efabulações, anedotas e acasos.
Através da revisão do “ciclo de vida” das imagens, Bailey assume-se como agente de recapitulação ou recolecção dos seus sentidos, sedimentados pelo tempo; nesse processo, assume-se tanto a revelação dos factos como a sua distorção. “Salvam-se” as imagens para que estas adquiram um sentido distinto da sua origem. Como se deste modo nos lembrasse que todas as imagens têm uma vida dupla (uma primeira, fruto da sua função original, e outra da sua leitura).
Na revisitação dos factos, “re-enactment” ou recriação da imagem, reconstroem-se a(s) estória(s) que, ao serem convocadas por Bailey, sustentam a credibilidade da narrativa. Através do “olhar”, o autor transforma o signo imediatamente em obra, como se o tempo que dispensa na “leitura” da imagem lhe desse a legitimidade para a criação e, ao espectador, a “chave” para a leitura e fruição da proposta.
Mas é precisamente aqui que reside a subtil abordagem de Bailey; saímos da conferência com uma noção profunda da proveniência das partes (a geneologia exacta de cada imagem utilizada); devolve-se ao espectador o espaço subjectivo da leitura do todo (a relação não-linear das imagens na parede da exposição).

A lição em tangente parece encontrar-se nas questões implícitas que a exposição convoca: quanto tempo perdemos na “leitura” de uma imagem? Qual o tempo de ressonância do sentido que essa imagem adquire em nós? E será possível isolar esse sentido, quando imediatamente o confrontamos com um conjunto concorrencial de outras imagens?
Como arquivo subjectivo e recapitulação dos legados “Mnemosyne-Atlas” de Aby Warburg ou de “Atlas” de Gerhard Richter, “Extended Caption” testa os modos de apropriação e reutilização da imagem num universo confinado à publicação Dot Dot Dot.
Nos limites desta obsessiva “investigação” constrói-se uma última dúvida: qual o método preferencial de Bailey? A arqueologia ou a ficção?

* do texto de apresentação da exposição/Culturgest Porto. Abril 2009

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IMGS Nuno Coelho + Rafael Lourenço

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