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UV/19.12’08: O Primado do Som

December 26, 2008 · Leave a Comment

Na procura de uma aproximação mais exacta para audiovisual, assistimos nesta sessão a diferentes abordagens da relação som/imagem: a canção e a imagem em movimento como estratégias de ilustração simultânea, nos vídeos de António Olaio, os processos de síntese dos sinais visual e sonoro através das linguagens da programação, nas instalações de André Sier, a fusão das composições electrónicas e dos ambientes virtuais, no trabalho de Miguel Soares.

António Olaio introduz a sua apresentação explicando como se aproximou do registo videográfico. A relação com a performance, onde o vídeo surge como prolongamento documental das apresentações e a “vontade de construir canções” com os “Repórter Estrábico”, levam o autor à experimentação do meio audiovisual. Para esta sessão, escolhe “Where’s my glasses” e “What do you want for Christmas“. Nos seus “vídeos domésticos”, não lhe interessa a excelência técnica, mas pelo contrário a possibilidade de voltar ao imaginário circunscrito do “artista e do seu atelier”, de um “fazer independente” e solitário. Com a colaboração de João Taborda, os registos sonoros ganham então a forma da canção onde se tenta negar a aproximação ao videoclip, quando assume que a canção faz parte do vídeo e que o vídeo não existe para suportar o som com uma imagem. A declaração “faço canções em vez de escrever teorias de arte”, sublinha que na obra de António Olaio, a reflexão sobre a arte faz-se através da sua produção; não segue a exploração sobre o meio ou a sua desconstrução, mas o ensaio dos formatos. O vídeo surge então como mais um veículo possível.

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André Sier explora princípios de análise dos sinais vídeo e sonoro para a construção de obras de síntese, resultado de processos de sobreposição e feedback em tempo real entre os registos construídos pelas linguagens de programação. A criação de ambientes em tempo real, mutáveis ou sensíveis ao contexto de implantação da obra, a construção de dinâmicas de tradução entre imagem e som através do código, são algumas das motivações do seu trabalho. Para melhor exemplificar estas abordagens, foram apresentados três trabalhos da série “Struct”. Em “struct_2@pavilhão 21C” (2002), o output era resultado do “diálogo” entre o autor e Filomena, uma paciente do Hospital Júlio de Matos, a partir dos registos vídeo e audio. Caminhando de princípios de tradução para a síntese, “struct_4” (2006), explora som, imagem e luz numa “composição invisível”. A recolha dos registos sonoros ambientais por quatro microfones ligados a quatro woofers, cobertos por um líquido colorido, constrói “esculturas efémeras” através das vibrações amplificadas pelo dispositivo lumínico. “struct_5” (2006) adiciona a este dispositivo, a imagem—”captura e interfere com o som e movimento visual que ocorrem num espaço específico”, devolvendo uma imagem em movimento de um espaço tridimensional virtual.

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O som é nestas obras, um “dado adquirido”; o sistema desenvolve-se através dos princípios de feedback, que desta forma criam e esculpem o som e a imagem como registos ou desenhos de situações criadas na implementação da instalação. Como processo, começa muitas vezes pela composição sonora que depois dá origem a uma possível visualização dessa expressão, num processo de tradução ou sinestesia.

Foram ainda apresentados três vídeos de Miguel Soares (Migso): “Gausso” (musica: 2006, video: 2008), “Bogless” (musica: 2006, video: 2008) e “Vlanta” (musica: 2006, video: 2008). Nestas obras, a composição sonora parece explodir algumas componentes da representação visual (expondo, por vezes, o erro na construção 3D), sendo que a existir síntese esta se faz com a imagem a reagir ao som, mesmo nas circunstâncias mais improváveis (como se o som preenchesse tanto as formas que estas inevitavelmente se tenham que expandir/deformar). Negando a comum aproximação sinestésica, onde os valores visuais e sonoros se aproximam pelo seu grau de abstracção formal, e arriscando no reconhecimento das formas (com a construção ou inserção de elementos 3D que procuram simular o real), este parece um claro exemplo de como a imagem se pode submeter à composição sonora.

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Categories: UNIVERSIDADE DA VIDEOARTE