Steina Vasulka
Steina (& Woody) Vasulka (us), artistes, Santa Fe, États-Unis
http://www.vasulka.org

“Wouldn’t you call this interactive” é o mote omnipresente da intervenção de Steina Vasulka que começa por expôr o modo como os primeiros efeitos vídeo (como o feedback) se assumem como operações de interacção, ainda nas décadas de 60 e 70. As duas “vozes” de Woody e Steina Vasulka questionam as noções de interacção e síntese—a modelação dos valores visuais e sonoros constrói-se, muitas vezes, a partir do mesmo sinal eléctrico, sendo este o “motor” dos vídeos que assim se transformam em sistemas; reagem ao sinal, ao “distúrbio do medium” e com ele geram a obra (como em “Noisefields” de 1974). Os resultados destas sínteses som/imagem colocam as noções de causa-efeito entre estas dimensões como obras precursoras das contemporâneas explorações audiovisuais (como são exemplo “Interface” de 1970, “Soundsize” de 1974 e “Violin Power” de 1978).
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O trabalho da dupla de artistas gere-se essencialmente por uma procura da pureza dos valores visuais e sonoros e da possibilidade de intermediação. A baixa resolução dos primeiros sistemas electrónicos, deixa de ser uma condicionante e transforma-se num modo de exploração linguística e processual—a “linguagem electrónica” estrutural, construída pela “tribo que venera a electricidade” (nas palavras de Jonas Mekas). Assistimos a estas explorações em “The Matter” (uma “Ode às formas de onda”, sinusoidal, triangular e quadrada) ou “Solo for Three“, ambas de 1974.
![]()
![]()
![]()
Como processo de tradução as obras evidenciam o modo como se transforma a síntese em exercício—a experimentação é estrutural e remete para a análise dos próprios princípios dos media. Daí a inevitável e obrigatória revisitação à obra destes artistas num momento em que algumas questões sobre imagem em movimento e interactividade, se assumem muitas vezes como partindo de um nível zero (a constante adição da palavra “novo” nestas práticas, é disto evidência).
Para além da síntese, à obra destes artistas acresce, por vezes, a dimensão performática e o auto-retrato que, aqui mais não são, que a possibilidade única de colocar o próprio artista no seu sistema. Como exemplar ilustração, a apresentação termina com “Warp” (2000), ou segundo a artista “me interacting with myself and my system”.
![]()
![]()
![]()
_
TXT SG
_
_