Jim Campbell
Jim Campbell (ca), artiste, San Francisco, États-Unis
http://www.jimcampbell.tv/


O trabalho de Campbell define-se como uma verdadeira investigação artística, orientada pelo fascínio pelos contornos da percepção, pela relação entre informação e conhecimento e exploração de tecnologias electrónicas e digitais como instrumentos mediadores desta relação.
Começa por definir o seu percurso desde o momento de viragem há cerca de 20 anos, em que passa do cinema para a criação de instalações interactivas, desenvolvendo dispositivos electrónicos para o efeito.
Trabalhava a inclusão do espectador na instalação, como um estudo do comportamento face à interactividade, ou à forma como as pessoas reagem ao que o sistema devolve da sua presença ou acção, como em Shock Treatment (1988), Hallucination (1998-1990) ou Frames of Reference (1996-98).
Posteriormente interessou-se em “não dar às pessoas o que estavam à espera” e orienta então o seu trabalho para o que apelida de arte “anti-interactiva”. Joga com as expectativas em relação à interactividade – mantém os dispositivos mas inverte-se a lógica. Esta viragem é marcada por Shadow (For Heisenberg), (1993-94) que joga com o princípio da incerteza, sendo que ,neste caso, quanto mais nos aproximamos do objecto que pretendemos conhecer mais intangível ele se torna .

O seu trabalho evolui então numa exploração da ideia de “tempo e memória” — a memória electrónica de um evento — uma memória “escondida” e sua revelação ou materialização. Typing Paper (1995) ou Night Light, (1995/1998) fazem parte dessa série de Memory Works (1994-1998). Numa atitude auto-reflexiva em relação ao campo define a sobejamente conhecida “Formula for computer art” (1996).
Os limites do percetível e a relação entre a quantidade de informação e sentido — entre o palpável e o intangível — são explorados através da cor em obras como Experiments In Touching Color, (1998-99) ou Color By Number (1999). A baixa resolução torna-se outra perspectiva de abordagem desta problemática entre informação e significado, entre o que se revela e oculta, na série Ambiguous Icons – Led works (2000-2003). Campbell nota que a definição, a cor e o movimento são determinantes nesta exploração liminal.





Portrait Of A Portrait Of Harry Nyquist, ou de Claude Shannon (2000-01) são peças que jogam com informação, ruído e sentido. Fifth Avenue Cutaway #1 (2001) testa a intensidade lumínica e definição do “ponto” de luz para a percepção da imagem, e Ambiguous Icon #0 – A Fire, A Freeway And A Walk, (1999-2000) define uma imagem pelo seu perímetro pela inversão do LCD. Como o título indicia Motion and Rest (2001-02) liga baixa-resolução, ausência de cor e movimento — movimento como único aspecto que torna a imagem reconhecível — que é explorado novamente como processo de abstracção em Wave Modulation, (2003).




Uma das peças que condensa muitas das preocupações de Campbell é Self Portrait of Paul DeMarinis, (2003), envolvendo os processos de transformação, distorção e recodificação dos fluxos de informação. Uma gravação da voz do artista (Paul Demarinis) define a sua imagem. A imagem é codificada em tons vocais que são transmitidos e captados por um microfone na sala – são então descodificados e convertidos num valor lumínico de uma grelha de leds que apresenta a imagem do artista – o som da sala é então passível de distorcer a imagem. O ciclo de transmissão e recepção da imagem demora cerca de 90 segundos — “os processos de codificação e recepção da informação são aqui reduzidos a uma escala humana”— criando-se assim uma imagem sensorial do artista que exprime a sua relação com o som.

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Campbell expôs, numa belíssima apresentação, a sua investigação artística entre tecnologia e percepção humana e os os elementos essenciais ao seu trabalho, como o tempo, a memória, o electrónico e intangível e o real. Uma abordagem exemplar ao limiar da percepção como espaço de apelo à participação perceptiva e integração do espectador na construção de sentido da obra.
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