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\\ Conferência \ The ‘Real’ Conspiracy” \\

February 15, 2008 · Leave a Comment

“The ‘Real’ Conspiracy”// Timothy Druckrey [us]: _ 18:30
Introdução: Andreas Broeckmann [de]

“Where is reality? Can you tell me?”
Heinz von Foerster, in “Das Netz: The Unabomber, LSD and the Internet”

“With Turing machines that think the world, with Lacan’s language that thinks the ‘real’, with Barthes’, language that signifies the world, with the optical apparatus’ images that witness the ‘real’, with the gramophone – the sound of the ‘real’, and with the computer pictures that simulate the ‘real’, the legacy of modernity’s obsession with representation and its apparatuses resides between illusion and alibi. As Zizek reminds us, the issue is not between reality and simulation, but within the reality of illusion itself.”
Timothy Druckrey, do programa TM’08

Aguardada com grande expectativa, esta conferência começa com a apresentação de Timothy Druckrey por Andreas Broeckmann, onde se revela a cumplicidade entre ambos os autores (na t-shirt de Broeckmann, “reality addict” aparece em clara consonância temática).

conf druckrey
Andreas Broeckmann

A investigação de Druckrey aponta como possível constante, uma aproximação à alteração e apropriação dos valores ideológicos pelas tecnologias (ou uma possível filosofia política para a tecnologia).
Broeckmann apresenta Druckrey como um optimista crítico, um arqueólogo dos media em constante procura das linhas não consensuais da história; expõe a sua principal ferramenta – “a citação como arma” – que acabará por pontuar alguns os momentos mais memoráveis desta conferência.
Como “adenda reminder” e primeiro parentesis ao guião da conferência, Druckrey apresenta o trailler do filme “Strange Culture”, de Lynn Hershman Leeson, onde se relatam os estranhos acontecimentos ocorridos ao artista e professor Steve Kurtz que vão desde a morte da sua mulher por ataque cardíaco, ao inevitável telefonema para o 911, a suspeição dos polícias então chamados e a intervenção do FBI, até à acusação de “bioterrorismo”; parece que também aqui, reside uma pista para o entendimento da conferência – este é um caso real de como a representação criativa acaba por trair a realidade do seu próprio autor, confundindo-se tragicamente com esta.
Tendo como argumento principal a obsessão pela representação que hoje se transpõe para aquilo a que Druckrey chama a “realidade da ilusão” e a ideia-chave de que a representação não persupõe imediatamente uma perda de realidade, a conferência “The Real Conspiracy” começa por utilizar a “arma da citação”, criando um primeiro cenário para o entendimento desta problemática (afinal, a citação, também é em si, uma representação).
O vídeo com a entrevista a Heinz von Foerster (do filme “Das Netz: The Unabomber, LSD and the Internet”) surge como um primeiro tónico de provocação – “onde está a realidade? Consegue responder-me?”, “o mais revelante é quão interessante é a história que se conta para explicar a origem do universo.” Estas afirmações parecem ser “palavras de ordem” para o entendimento da conferência de Druckrey: a representação ou a construção perceptiva da realidade, o sinal, a imagem, como as reais estratégias da conspiração.

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Heinz von Foerster

Com Warren McCulloch, Norbert Wiener, John von Neumann, e outros, Heinz von Foerster foi um dos arquitectos da cibernética, aliando as suas competências na física e ciências da computação ao sentido crítico da filosofia. Desenvolveu uma segunda ordem para a cibernética, que focava os sistemas auto-referenciáveis e a importância dos seus comportamentos internos na explicação de fenómenos complexos.
Exibindo uma lógica evidente entre o formato da apresentação (a leitura do seu próprio texto) e o tema da conferência (apetece dizer que a realidade de uma conferencia, é a sua representação em texto) continua um autêntico bombardeamento de citações: de Zizek retira “the things exist by mistake” ou “creation is just a cosmic imbalance”, de “Crash” de J. G. Ballard, “a ficção já existe, a tarefa do autor é inventar a realidade”, das leis do Marketing “never do anything for the first time”.
Ficam alguns fragmentos das ideias-chave do argumento desta conferência: a conspiração está afinal no sinal, na imagem; a realidade como o que está entre sinal e ruído; a inexistência de um mundo para além da representação (“where do pictures go when they are not on the screen?”); a fatalidade da privatização da realidade, dominada pelos media, um possível retorno à utopia da individualização da realidade, quando conferimos ferramentas de representação e representatividade a partir das novas tecnologias da Rede e simultaneamente a inevitável “conspiração do esquecimento” traduzida a partir da acumulação dos referentes (aquilo a que o autor também chama a “conspiração da data-base” ou as narrativas do banal); o “re-enactement” como um dos modelos mais interessantes de representação da representação (quando se considera, sob a perspectiva de Heinz von Foerster, a História como uma construção ou narrativa da realidade passada) ou como só as insistências ou repetições da História nos permitem o nosso acesso a experiências do passado; o triunfo do efeito especial ou da “esfera do gadget”; a “conspiração da testemunha”, que assume a representação do que supostamente viu (devolve-nos então o “retrato-robot” da realidade e confere com esta representação a autentacidade dos acontecimentos); o revivalismo da Obra Total, como não mais do que uma ligação entre o ego e a hiperactividade do consumo (“Get back to normal. Go shopping!”); o legado da virtualização do mundo como uma espécie de “autópsia antecipada da realidade”; a realidade como uma variável e a imagem como uma constante.
Links:
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Timothy Druckrey
http://subsol.c3.hu/subsol_2/contributors3/druckreybio.html
http://users.rcn.com/druckrey/

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Andreas Broeckmann
http://framework.v2.nl/archive/archive/node/actor/.xslt/nodenr-65453

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Steve Kurtz “Strange Culture”
http://www.strangeculture.net/

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Heinz von Foerster
http://www.univie.ac.at/constructivism/HvF.htm

“The net: The Unabomber, LSD and the Internet”
Lutz Dammbeck

Categories: CONFERÊNCIAS · TRANSMEDIALE2008
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